As transformações hormonais ao longo da vida adulta impactam diretamente o metabolismo feminino e ajudam a explicar por que muitas mulheres passam a enfrentar maior dificuldade para manter o peso e o equilíbrio do organismo após os 30 anos. Especialistas apontam que essas mudanças são naturais, mas exigem atenção crescente com a saúde, especialmente diante do aumento de doenças crônicas nessa população.
A médica Renata Bussuan, coordenadora nacional da pós-graduação em endocrinologia da Afya Educação, que também conta com oferta do curso em São Luís, explica que o metabolismo feminino sofre influência direta dos hormônios ao longo do tempo. “O metabolismo feminino não é estático, ele muda progressivamente ao longo da vida, principalmente por influência hormonal”, afirma. Segundo a médica, a partir dos 30 anos já é possível observar redução de massa muscular e maior tendência ao ganho de peso.
Com o avanço da idade, especialmente após os 40 anos, essas alterações se tornam mais intensas devido à aproximação da menopausa. A queda do estrogênio interfere no funcionamento do organismo, favorecendo o acúmulo de gordura abdominal, alterações no sono e redução da sensibilidade à insulina. Esse conjunto de fatores contribui para o aumento do risco metabólico.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o excesso de peso já atinge 60,3% dos adultos brasileiros, com prevalência maior entre mulheres, enquanto a obesidade alcança 25,9% da população. Essas condições estão diretamente associadas ao desenvolvimento de doenças crônicas.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, o excesso de peso e a obesidade vêm crescendo em todas as faixas etárias no país, consolidando-se como um dos principais desafios de saúde pública.
Esse cenário tem impacto direto no aumento de doenças como diabetes e problemas cardiovasculares. Dados mais recentes indicam que o número de brasileiros com diabetes cresceu 135% em 18 anos, acompanhado pelo avanço da obesidade e da hipertensão.
Para a coordenadora nacional da pós-graduação em endocrinologia da Afya Educação Médica, os hormônios femininos exercem papel central nesse processo, influenciando desde a distribuição de gordura até o controle do colesterol e da glicose. Essas alterações também impactam aspectos como humor, sono e níveis de energia ao longo do dia.
Ela alerta que muitas dessas condições evoluem de forma silenciosa. “Com as mudanças hormonais ao longo da vida, especialmente após os 40 anos, aumenta o risco de doenças cardiovasculares, osteoporose, diabetes tipo 2 e obesidade abdominal”.
Além das doenças metabólicas, o excesso de gordura corporal também está relacionado a outros agravos. O Ministério da Saúde aponta que a obesidade aumenta o risco de diversas doenças, incluindo problemas cardíacos, diabetes e alguns tipos de câncer, como o de mama, endométrio e ovário, nas mulheres.
Diante desse cenário, o acompanhamento médico regular se torna essencial. A avaliação metabólica, com exames como glicemia, colesterol e função da tireoide, permite identificar alterações precocemente e orientar estratégias de prevenção.
Mesmo sendo um processo natural, os impactos das mudanças hormonais podem ser reduzidos com hábitos saudáveis. “Atividade física regular, alimentação equilibrada, sono de qualidade, controle do estresse, manutenção do peso, principalmente evitando gordura abdominal, e evitar tabagismo e excesso de álcool não só ajudam a equilibrar hormônios, mas também reduzem o risco de doenças cardiovasculares, metabólicas e até câncer”, orienta a endocrinologista Renata Bussuan.
